Cuidados importantes para quem toma Antidepressivos (2)

Publicado em Medicamentos  por: maria.silvia
14/08/11

      Continuando a conversa sobre antidepressivos, retomo a questão dos efeitos ao longo do tempo. Os efeitos colaterais indesejáveis podem começar logo após as primeiras tomadas e tendem a diminuir. Os efeitos terapêuticos, por outro lado, são percebidos duas semanas após se atingir a dose terapêutica. Alguns antidepressivos como a clomipramina, fluoxetina e sertralina podem causar, inicialmente, piora da ansiedade, agitação, mal-estar. Esse quadro, presente em 20% dos pacientes que começam o uso destas medicações, tende a diminuir até sumir mas pode levar ao abandono do tratamento, caso o paciente não seja acolhido e devidamente informado.

            A paroxetina não deve ser usada em pacientes com menos de 18 anos. Nos Estados Unidos e Canadá houve movimentação popular denunciando mortes por suicídio em adolescentes que estavam recebendo paroxetina para tratamento de depressão. Os estudos não foram conclusivos pois o suicídio é um risco associado à depressão, não foi possível atribuir os suicídios diretamente à medicação mas de qualquer forma tanto nos Estados Unidos como aqui no Brasil o uso da paroxetina não é permitido para pacientes menores de idade . A sertralina , por outro lado, pode ser prescrita a partir dos seis anos de idade para quadros de depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo que, infelizmente, também acometem crianças e adolescentes.

                 Os antidepressivos Inibidores da MonoAminaOxidase (IMAO), apesar de sua eficácia, acabam sendo menos usados pelo risco de causarem picos de hipertensão, principalmente  se associados a outras medicações, bebidas e alimentos ricos em tiramina. Quando se vai interromper o uso de IMAO  para colocar outro antidepressivo, ou vice-versa, é preciso ficar pelo menos duas semanas sem nenhuma medicação, para evitar a interação. No caso da fluoxetina, são necessárias cinco semans para que os princípios ativos sejam totalmente eliminados (período de “wash-out”).

         Muitos pacientes bipolares apresentam apenas quadros depressivos inicialmente, sendo tratados com antidepressivos. Pode ocorrer a  “virada maníaca”, ou seja, passagem de sintomas depressivos (tristeza, desânimo, menos-valia) para sintomas maníacos (agitação, pensamento e fala muito acelerados, idéias de grandeza, gastos excessivos, etc.). Nessas situações, o médico psiquiatra precisa rever o(a) paciente, avaliar se é realmente uma virada, iniciar estabilizador de humor, reduzir/retirar o antidepressivo. Uma informação importante a ser levada ao conhecimento do psiquiatra é se há casos de transtorno bipolar na família do paciente com depressão.

            A bupropiona, acredita-se, exerce seu efeito antidepressivo por inibir a recaptação de serotonina e noradrenalina. Proporciona melhor disposição, melhora a libido e em algumas pessoas, ajuda a parar de fumar. Não deve ser usado em pessoas com epilepsia ou que apresentem qualquer fator predisponente para convulsão, pois pode facilitar sua ocorrência. Pelo mesmo motivo, não deve ser usada associada a bebida alcoólica. Aliás, evitar ou  reduzir  o uso de bebida alcoólica é uma boa medida para quem realiza tratamento com o uso de qualquer medicação psicotrópica. Em maior ou menor grau, todos esses medicamentos interagem com  o álcool, podendo levar a rebaixamento do nível de consciência. A venlafaxina e a duloxetina inibem a recaptação de serotonina e noradrenalina. Os três antidepressivos podem elevar a pressão arterial, que deve ser medida antes do início e durante todo o tratamento.  

                Todos esses cuidados podem ser resumidos em cuidados gerais com a saúde geral, comunicação aberta com seu médico psiquiatra sobre todas as dúvidas e alterações.

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